<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355</id><updated>2011-04-22T04:51:32.131+01:00</updated><title type='text'>À mesa e no quintal</title><subtitle type='html'>Histórias do quotidiano, contadas por quem as ouviu.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mesaequintal.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>15</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-111749160071459757</id><published>2005-05-30T23:18:00.000+01:00</published><updated>2005-05-30T23:20:00.720+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Boa Água&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tínhamos acabado de almoçar. Nesse tempo ainda a Anita não estava enjoada de ir passear pelas redondezas e o João não tinha quase outro remédio do que nos acompanhar. Depois de levantada a mesa, lavadas as grelhas, dado um jeitinho à cozinha eram horas de partirmos para um passeio digestivo. Nas redondezas, há muito que ver. A Mina de S. Domingos, a aldeia propriamente dita, as tapadas, as ruínas das minas e das áreas complementares como a fábrica do enxofre, as paisagens que circundam o rio Chança, a própria barragem e as albufeiras, alguns montinho típicos. Mais longe, mas não tanto que não se possa ir num pé e vir no outro, o Pulo do Lobo para não falar na deslumbrante vila de Mértola. Mas desta vez fomos ao Pomarão. Onde outrora o seu cais servia de ponto chegada da linha férrea que trazia o minério de S. Domingos e de porto de partida, Guadiana abaixo até Vila Real de Santo António e depois oceano fora. Hoje quase todos estes montinhos estão apenas semi-acordados. O fecho da mina foi apenas a machada final, onde a guerra colonial, a árdua vida das ceifas, alimentada a água fervida com toucinho e acelgas já tinha mandado para a Alemanha e para a França alguns dos seus melhores filhos. Hoje recomeçam a acordar com os descendentes dos que abalaram a retomar e a reconstruir as casas meio abandonadas. Para estes o Alentejo passou a ser o refúgio do bulício citadino, num regresso, mesmo que parcial, às origens. É no meio deste sossego que encontrámos no Pomarão o senhor Joaquim. Que nos contou algumas histórias do tempo em que era mineiro, do tempo em que no cais se trabalhava com afinco. O Senhor Joaquim que agora contempla o rio e as cegonhas. O Senhor Joaquim que quando o João, com uma garrafa vazia de litro e meio, lhe perguntou se podia enchê-la ali no chafariz mesmo ao lado, lhe respondeu:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- O melhor é encheres a garrafa naquele ali mais além. A água aqui também é boa mas não presta.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-111749160071459757?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/111749160071459757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/111749160071459757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2005_05_01_archive.html#111749160071459757' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-109579451348406403</id><published>2004-09-21T20:20:00.000+01:00</published><updated>2004-09-21T20:21:53.483+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Vai uma bejeca?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Desde a Antiguidade que se consome cerveja na Índia e na China. No Egipto Faraónico, a cerveja chegou a ser considerada bebida nacional e na Hispânia, o seu consumo era maciço. Contudo, os grandes bebedores de cerveja eram os Sumérios.Mas foi apenas no séc. XIII que surgiu um tipo de cerveja parecido com a que consumimos hoje. Este pequeno milagre foi conseguido por frades, graças à introdução do lúpulo como conservante.No séc. XV, a Alemanha fabrica a primeira cerveja ligeira, pouco fermentada, que desde a Baviera se foi estendendo ao resto da Europa.A cerveja manteve-se artesanal até 1860, quando Louis Pasteur, através dos seus trabalhos sobre fermentação da levedura, melhorou o processo de fabricação.No séc. XIX, surge em França uma cerveja local mais suave e sem álcool que deu origem a um moderno conceito de cerveja na década de 60: a Cerveja sem álcool."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In  &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.republicadacerveja.pt/html/cerv_historia.htm"&gt;&lt;em&gt;http://www.republicadacerveja.pt/html/cerv_historia.htm&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os meus dois amigos Serafim e Joca mordiscavam um pedaço de entrecosto, que o primeiro havia grelhado a preceito e, discutiam a quem haviam de dar vivas pela descoberta da cerveja, o Anastácio apareceu, com o seu ar de quem sempre tudo sabe e após escutá-los atentamente interveio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois eu cá, compadres, eu dou as minhas vivas aos brasileiros.&lt;br /&gt;- Aos brasileiros???? – Perguntamos em uníssono, sem termos atingido o alcance da afirmação do Anastácio.&lt;br /&gt;- Pois sim, homessa, aos brasileiros sim senhores.&lt;br /&gt;- Ó compadre Anastácio, perguntava eu, calculando que dali não iria sair boa, mas diga-me lá vossemecê, o que é que os brasileiros têm a ver com a invenção da cerveja?&lt;br /&gt;- Não é isso, compadre Vitor, não é nada disso. Eu dou vivas aos brasileiros por terem inventado a telenovela.&lt;br /&gt;- Mas ó compadre, ripostou o Serafim, a gente está aqui discutindo quem teve mais mérito na invenção da cerveja e o compadre vem dar vivas aos brasileiros por causa da telenovela. Só você, compadre Anastácio, só você para desconversar.&lt;br /&gt;- Mas qual desconversar, qual quê compadre Serafim. Então vossemecê não acha que quem todo o mérito são os nossos irmãos do lado de lá do Atlântico? Vejam vossemecês se eu não estou com a razão. Onde é que estão as comadres, vá lá, digam lá onde é que estão as comadres?&lt;br /&gt;- Se calha lá dentro, vendo a telenovela, compadre – alvitrou o Joca.&lt;br /&gt;- Pois é por isso mesmo que eu lhes dou vivas compadres. Enquanto as moças estão lá dentro distraídas com o romance, estão vossemecês aqui fora a virar cervejas atrás de cervejas, sem elas darem por nada. E a propósito, com menos conversa já eu bebia outra, que estou com a garganta seca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-109579451348406403?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/109579451348406403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/109579451348406403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_09_01_archive.html#109579451348406403' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-108013267752760789</id><published>2004-03-24T12:50:00.000Z</published><updated>2004-03-24T12:54:44.530Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;A história da mula&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ouvi dizer que o compadre rifou uma mula morta – atirei eu esperando ouvir da boca do próprio Anastácio uma história deliciosa, que eu já conhecia, mas esperando ser contada do jeito que apenas ele sabe contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ouviu e ouviu muito bem, compadre. Rifei e ainda ganhei 798 Euros – ripostou orgulhoso com o negócio o Anastácio ajeitando a boina na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então conte lá homem. Está tudo aqui à espera de saber que negócio foi esse. Olhe lá ali a cara do Ti Manel, já a abanar a cabeça – desafiei eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comitiva de ciganos tinha chegado havia menos de 15 dias. Uma mula, quase esquelética puxava uma velha carroça. Atrás, três burros com um, não menos, ar faminto. O inevitável cão caminhava por debaixo da carroça, aproveitando a sombra. O patriarca de longas barbas brancas, fato preto e chapéu com fita montava-se na galera onde mais duas mulheres cuja idade não se adivinhava, saias longas, lenço na cabeça, um jovem com a barba por fazer há mais de uma semana, cabelos encaracolados em cabeça descoberta e mal tratada, duas crianças, uma menina de longos cabelos atados com um cordel, um garotinho cujos calções já só tinham uma alça, lhe faziam companhia. Assentaram arraiais num terreno perto do povo. A desconfiança sobre os visitantes é a habitual em circunstâncias destas. As minorias não são aceites na generalidade das regiões e o Alentejo não é excepção. Talvez seja um pouco mais paciente. Mas depressa se desvaneceram. A recém chegada família foi lesta a socializar-se e foi na venda do Pires que estabeleceram o negócio. Acho que o Anastácio aceitou mais comprar a mula para ver se a ainda seria possível salvá-la de uma morte certa pela fome do que, pela falta que a mula lhe fazia. Pagou duzentos euros pela alimária, dinheiro à vista e ficou de ir lá buscar a mula no dia seguinte, pois o lusco-fusco e alguma falta de vista não convidavam o Anastácio a passeios nocturnos pelo campo.&lt;br /&gt;Quando na manhã seguinte chegou ao acampamento cigano, já a mula tinha morrido. Logicamente pediu a devolução do dinheiro. Mas o patriarca já não o tinha. Aproveitou para, na noite anterior, gastá-lo na mercearia e na taberna. Anastácio não abdicou da sua compra. Meia hora depois estava de novo no acampamento, agora com o Felisberto que, com o tractor e o reboque, trouxeram a mula morta para a pequena courela do Anastácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é compadre, fui à Marirmínia comprar um bloquinho, fiz umas rifas e rifei a mula. Vendi as 500 rifas só num dia. Também, por 2 euros quem é que não se habilitava a uma mula? – Continuou a contar a história o Anastácio. – Saiu ao Jaquim Afonso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ao pai ou ao filho? – Interrompeu o Ti Manel, para perguntar. Como se o Anastácio não soubesse que iria ser interrompido precisamente naquele momento. Fez uma pausa e bebeu um pouco mais do vinho que ainda lhe sobrava no copo, para refrescar a boca, que a história já ía longa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ao chique esperto do filho, é claro – respondeu o Anastácio, depois de limpar a boca às costas da mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então e ele, compadre, ficou com a mula morta? – Perguntei eu, apesar de já conhecer o desfecho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh homem e quem é que quer uma mula morta? Claro que não. Barafustou, reclamou, ameaçou e eu disse-lhe: «Homem quem é que ía adivinhar que a mula morria, enquanto eu a rifava?».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então e o Jaquim ficou-se assim? – Perguntou ansioso o Ti Manel – dizem no monte que não é rapaz de se ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh Manel, o que é que achas que se podia fazer numa altura daquelas? Devolvi-lhe os dois euros da rifa, pois claro.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-108013267752760789?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/108013267752760789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/108013267752760789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#108013267752760789' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-107999964285445948</id><published>2004-03-22T23:53:00.000Z</published><updated>2004-03-23T09:34:34.606Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;A idade dos whiskies&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história de hoje é uma história muito pequenina, mas, por justiça ao Joca, eu não poderia deixar de a contar. Como é costume, nestas histórias do quotidiano, tenho sempre relatado as piadas do meu compadre Anastácio que têm muitas vezes como alvo, o Joca. Existe aqui e ali uma intenção clara do Anastácio “picar” o Joca, mas isso é compreensível. O meu compadre é muito brincalhão e o meu amigo Joca também o é, embora afine quando a coisa é com ele. Não sei se o Joca andou a remorder e a pensar “um dia deste lixo-te” mas a verdade é que no Domingo foi o dia de glória dele.&lt;br /&gt;Estávamos sentados à mesa como de costume. Acabáramos de almoçar um daqueles almoços que só o peso não nos deixava levantar da cadeira. A Maria tinha assado umas cabeças de borrego no forno da cozinha, o vinho era de Pias, as obrigações para o resto do dia, nenhumas e assim, pudemos chupar até ao último ossinho. Já tínhamos comido e bebido bem quando, durante o cafezinho, apareceu o meu compadre Anastácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora ainda bem que apareceu – disse-lhe o Joca, como que a querer provocar algo. – Sente-se aqui homem e beba qualquer coisa com a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é que vossemecês estão bebendo aí? – Perguntou o Anastácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olhe compadre, a gente já está no café e no whisky, mas se o compadre preferir um copinho eu vou lá dentro buscar o garrafão. Hoje é bom, é de Pias. – Disse eu, dando a opção da escolha ao meu compadre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não senhor, compadre, eu bebo do que os outros bebem, homessa. Bote lá aí um pedacinho num copinho. Sem gelo que eu não estou com os calores – avisou o Anastácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho aqui de 5 e de 12 anos, qual prefere compadre? – Dei de novo opção ao Anastácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Anastácio de whisky não percebe nada. Raramente bebe e, acho eu que, só foi para esta bebida para nos fazer companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porquê, compadre costuma ter mais velho? – Pergunta o Anastácio sem saber o que lhe esperava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Joca não esperou nem um instante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tínhamos de 21, mas já cá não há. Foi para a tropa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem estava de copo na boca engasgou-se de riso. O coitado do Anastácio, esse não. Engoliu em seco.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-107999964285445948?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107999964285445948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107999964285445948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107999964285445948' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-107960933309702839</id><published>2004-03-18T11:28:00.000Z</published><updated>2004-03-18T11:32:12.076Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Amassador de latinhas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última viagem que fiz ao Brasil, ofereceram-me um objecto que nunca tinha visto antes. É um amassador de latinhas. Coloca-se a lata vazia de cerveja ou de refrigerante no amassador. Amassa-se a lata e ela fica reduzida a menos de um quinto do seu volume. É óptimo para poupar espaço nos lixos, mesmo que separados. É pena não ter encontrado um amassador de garrafas de plástico, um amassador de cartões de leite e sumos, uma amassador de papel e jornal e de revistas e por aí a fora. Não sei se seria melhor ou não, pois já temos a casa cheia de baldes de lixo de diversas cores, para a separação dos mesmos, teríamos também a casa cheia de amassadores. Um dia destes ainda pensariam que o meu quintal é uma fábrica de reciclados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ficou louco com o amassador foi o meu amigo Joca. No dia da “inauguração”, não deixou mais ninguém amassar latinhas. Cada uma que se bebia ele pegava na lata e reduzia-a ao seu tamanho mais ínfimo. O fim-de-semana estava chuvoso, embora quente. Entre sumos e cervejas beberam-se mais de 40 latas. Foi uma trabalheira, mas também uma alegria para o Joca. Como noutras histórias aqui contadas o Joca é o artífice de plantão. Mas também é o jardineiro. E como neste fim-de-semana não parou de chover, não fosse o amassador de latinhas e teria sido um tédio para o Joca. Quem topou bem a cena foi o Anastácio. Esteve connosco quase até ao final do dia de Sábado e quando abalou notava-se-lhe um certo sorriso jocoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então compadre Anastácio já lá vai? – Perguntei quando o Anastácio se levantou da cadeira.&lt;br /&gt;- Tem de ser compadre. É que se está fazendo tarde para a janta e eu ainda tenho aí um servicinho para fazer – respondeu o Anastácio.&lt;br /&gt;- Oh compadre, mas vossemecê poderia jantar hoje cá com a gente. A minha mulher está a fazer um arrozinho de coelho e a Isilda fez um bolo de bolacha magnifico para a sobremesa – ainda tentei convencê-lo.&lt;br /&gt;- Não compadre, agradeço, mas hoje está a apetecer-me umas migas e a Adelina já as deve estar preparando. Além disso compadre, ainda tenho aí um servicinho para fazer. – O Anastácio despediu-se e abalou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram quatro horas de Domingo. Tínhamos almoçado um grelhado misto, de entrecosto, entremeadas, linguiça e bifanas. O tempo continuava a não escapar muito bem, mas aquele capacete de nuvens tinha deixado um ar abafado. O Joca pegou na tesoura de podar e aproveitando as abertas lá ía limpando aqui e ali. Ora cortava mais uns ramos ás buganvílias, ora ía aparando a romãzeira. Nós conversávamos sobre o estado do tempo. Talvez nos faltasse conversa. Quem não tem mais que dizer fala do tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh gente boa, pode-se entrar? – Era, claro está o Anastácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Anastácio chegou com uma grande saco de plástico na mão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi ás compras hoje, compadre? Mas hoje é Domingo homem. – Perguntei eu apenas com a curiosidade de saber o que é que o Anastácio trazia em tão recheado saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh Joca, chega lá aqui! – Chamou o Anastácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Joca, meio enfastiado por ter de interromper o desbaste – e que desbaste este tipo me dá nas minhas pobres plantas – lá veio, também ele, curioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pega lá isto Joca. Já tens com que te entreter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Anastácio tinha estado no final do dia anterior e hoje pela manhã a recolher latas de cerveja pelas vendas do monte. Trouxe-as para se meter com o Joca. Este é que mais uma vez ficou “de trombas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh Anastácio, você é que tem cá uma lata.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-107960933309702839?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107960933309702839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107960933309702839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107960933309702839' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-107939355544640818</id><published>2004-03-15T23:32:00.000Z</published><updated>2004-03-15T23:35:50.983Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Cavalos &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Anastácio entra-nos a rir, que nem um perdido, pelo quintal dentro. Tenho a impressão que nem a pergunta habitual ele fez. “Oh homem desembuche!”. Mas o Anastácio queria começar a falar e engasgava de repente. O riso às gargalhadas nem o deixava falar. A muito custo e com a ajuda de um copinho de água lá foi acalmando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh compadre, o que é que lhe provocou tamanha riseira? – Perguntei eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma que já vos conto. Suspirou e começou – Vossemecês ainda se lembram do Joaquim Afonso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem o pai ou o filho? – Acho que o Ti Manel faz sempre esta pergunta sacramental, para no final argumentar – Nãoooo, a esse ninguém lhe põe a vista em cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O filho, oh Manel, o filho…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nãoooo – mas desta vez o Ti Manel foi interrompido pelo próprio Anastácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh Manel deixa-te lá de nãos nem meio nãos. Se eu estou a dizer que é o filho é porque é o filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ti Manel calou-se. Encostou o queixo ás costas das mãos já de si, pousadas na curva do queijado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh compadre, mas o que é que o Joaquim Afonso tem assim de tão engraçado que o faça vir a rir dessa maneira? – Perguntou o Serafim, que já se impacientava com tanta conversa paralela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, então, com a vossa licença, eu vou contar. Se não derem licença, paciência, já cá não está quem falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá lá Anastácio, conte lá o que houve compadre. – Eu próprio apaziguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu conto. O Joaquim Afonso, como sempre que vem de Lisboa, esteve a semana passada ali na venda do Pires tomando umas minis. Como é habitual nele, a gabarolice não pode faltar. Desta vez era o carro vermelho. Acho que é um Alfa ou sei lá como é que se chama o raio do bicho. Ele era cilindrada para aqui, cavalos para acolá. Nunca vi um homem falar tanto dos 170 cavalos que tinha à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh Anastácio, e que graça é que tem isso, para uma semana depois ainda estares a rir que nem um parvo? – Interrompeu o Ti Manel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lá estás tu, Manel. Espera lá que ainda não acabei. – Ripostou o Anastácio. - Pois hoje, é que eu vim a saber. O Toi, o filho do Zé da ovelhas, aquele que mora ali a modos que no cabeço. Pois o Toi, que tem uma bicicleta a motor, daquelas a cair peça aqui, peça acolá, então não é que é um marafado dos diabos? Acho que o Joaquim Afonso ía a caminho da Mina, despistou-se e vossemecês, sabem aquele barranco que aí os teus garotos, oh compadre Simão (o Simão é um primo da minha mulher), costumam ir aos achigãs? Pois o belo do Joaquim Afonso despistou-se e afocinhou com os 170 cavalos bem dentro do barranco.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Ah coitado - interrompeu a Isilda - e magoou-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que nada! Estava já ele fora do carro, a olhar á volta do bicho, quando o Toi, passou na bicicleta e lhe perguntou: “Oh Jaquim, homem, então paraste para dar águas às bestas?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém mais segurou o Anastácio. Desatou a rir ás gargalhadas que ía sufocando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tivemos tempo de achar piada, tal não foi o nosso susto a tentar socorrer o pobre do Anastácio.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-107939355544640818?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107939355544640818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107939355544640818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107939355544640818' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-107904843767929905</id><published>2004-03-11T23:39:00.000Z</published><updated>2004-03-11T23:50:38.670Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Falar “estrangeiro”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num intercâmbio cultural, o meu filho esteve em Birmingham na Inglaterra e, consequentemente, um estudante inglês veio passar uma temporada em nossa casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compramos alguns tipos de alimentos que habitualmente não fazem parte dos nossos (cá de casa) pequenos-almoços. Nós (agora falo dos portugueses, em geral), somos um pouco mais comedidos a tomar o pequeno-almoço e, depois, empanturramo-nos com grandes almoçaradas e jantaradas. São péssimos hábitos alimentares que ganhámos, não conheço os motivos histórico-gastronómicos, mas os nutricionistas bem tentam lutar contra este estado de coisas. A verdade, verdadinha é que o nosso amigo inglês, mal cá chegou, deixou-se vencer pelos nossos prazeres de mesa. E como no Verão – nas outras estações, também, mas no Verão é pior - encher muito a barriguinha dá uma vontade de não se fazer nada, depois de almoço, ou se dormia a sesta ou se fazia uma tertúlia, à mesa, com cartas ou sem elas. Este estudante inglês, de que vos falo, tinha uma característica que parecem ter todos os ingleses. Um apurado sentido de humor. Por isso contar anedotas ou fazer subtis trocadilhos, era o nosso passatempo preferido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ficava ali, sem entender nada do que dizíamos ou porque ríamos, era o Ti Manel. Infelizmente o Ti Manel não tem a instrução primária e muito menos entende línguas. Mas nós com a condescendência que nos caracteriza e, com a amizade que nos une ao Ti Manel, lá íamos traduzindo em diferido quando a coisa merecia ser contada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh gente boa. Pode-se entrar? – Era mais uma vez a entrada do meu amigo Anastácio em cena. Hoje ele vinha com cara de poucos amigos, apesar de ser daqueles que face a uma boa piada costuma deitar a azia para trás das costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso convidado estava já avisado da existência desta característica personagem. E como de humor se tratava, não perdeu a oportunidade de se meter com ele. O pior é que o Jimmy não falava uma única palavra de português, embora “arranhasse” o francês e o espanhol devido aos vários intercâmbios já realizados no estrangeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde, amizade. Então tudo bem por aqui? Nem se deixam ver, sempre metidos no quintal – Cumprimentou o Anastácio à chegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde compadre Anastácio. Respondemos em uníssono, de tal forma que se tivesse sido ensaiado não teria saído tão certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Good afternoon, respondeu o nosso Jimmy, levantando-se da cadeira para estender a mão ao Anastácio e oferecer-lhe um lugar à mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez o Anastácio foi apanhado de surpresa. E nem o seu tão famoso dedo adivinho lhe valeu, pois, para ele, a presença do estrangeiro, foi completamente uma surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é esse aí, compadre Serafim? - perguntou ele ao meu cunhado que se sentava na cadeira mesmo em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Serafim lá lhe explicou sobre os intercâmbios culturais do João, e mais isto mais aquilo, lá ficaram conversando os dois enquanto, eu fui lá dentro buscar uma tacinha para o Anastácio, que desta vez aceitou um copinho de tinto (ele achava que a azia era da cerveja). Mal voltei, apressei-me a apresentar um pouco mais formalmente o nosso amigo Jimmy ao nosso mais que amigo e conhecido Anastácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vou contar a seguir só tem interesse fazê-lo tentando utilizar as expressões que ambos utilizaram ou seja em “estrangeiro” e em alentejano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do you speak english? – Perguntou, cordialmente, Jimmy ao Anastácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Anastácio virou-se para o Ti Manel e com um ar meio desconfiado disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Oh Maneli, o que é que este tá práqui dizendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ti Manel que ainda percebia menos que o Anastácio encolheu os ombros e nem respondeu. O Jimmy, esse, voltou à carga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parlez vou français? – Deveriam ter ouvido este “français” saído com um erre bem enrolado naquele característico sotaque very british.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh Maneli, este aqui deve tar mangando comigo. Na achas que o moço é manganão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sem desistir, o Jimmy resolve perguntar-lhe em espanhol:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Usted habla español?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí o Anastácio não aguentou mais, chamou o João e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh Joãozinho, na queres ir dar uma volta aí com o camoni? É que cá para mim ê hoje saí-lhe na rifa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que o Jimmy estava mesmo na malandrice. Mas talvez esperasse outra reacção do Anastácio, não sei. Eu bem vos avisei, logo no início, que o coitado vinha cheio de azia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o João explicou ao Jimmy que não valia a pena continuar porque o Anastácio não sabe falar nenhuma língua estrangeira, saíram os dois para uma volta ao monte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal os rapazes voltaram costas, o Anastácio virou-se para o Ti Manel e disse-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh Maneli, isto na teve piléria nenhuma, mas é muito bom a gente saber línguas. Tu na gostavas de saberi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Responde o Ti Manel:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pra quê? Tu na viste o moço? Na lhe serviu pra nada.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-107904843767929905?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107904843767929905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107904843767929905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107904843767929905' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-107891382870474069</id><published>2004-03-10T10:16:00.000Z</published><updated>2004-03-10T10:20:16.903Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Jogando à sueca&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos os quatro sentados à mesa no alpendre. O Joca, o Serafim, eu e o inevitável Anastácio. Tínhamos acabado de almoçar uma sardinhada, os garotos, lá dentro, jogavam game boy, liam um livro ou simplesmente não faziam nada, vindo cá fora apenas para perguntar “Então quando é que vamos para a tapada?”. Mas a digestão da sardinhada e da salada de pimentos ainda estava atrasada, pelo que, decidimos jogar uma sueca. O Anastácio tinha aparecido pouco depois das mulheres terem levantado a mesa. As mulheres e nós, diga-se de passagem, que no nosso quintal não há machismos. Mas de facto temos de reconhecer que elas, sempre fazem a maior parte do trabalho doméstico. É a divisão de tarefas. Nós tratamos do jardim, das obras, da churrasqueira e de outras coisas assim, chamemos-lhe, menos femininas. &lt;br /&gt;Primeiro estivemos em amena cavaqueira e depois decidimos jogar às cartas. Nós dizemos que o Anastácio parece um alentejano a jogar, tal é o tempo que ele demora até que se decida deitar a carta na mesa. E ele responde sempre de um jeito que nos faz sorrir, que é alentejano com muito orgulho, tal como já eram os pais dele e os avós e que apesar disso, tinha demorado o mesmo tempo para nascer que nós. Os mesmos nove meses, ora bem.&lt;br /&gt;Mas naquele dia o motivo da conversa era outra. O nosso amigo tinha ido à vila cortar o cabelo. Mas que raio de corte fizeram ao homem. Não pudemos deixar passar em claro. Metemo-nos com ele, mas o Anastácio tem sempre uma história para tudo. E é aí que paramos a jogatina, para ele contar a história do barbeiro. Às vezes pensamos que ele tem um repertório inesgotável de anedotas. Outras acreditamos que as histórias que ele conta são verdadeiras. Esta não sei onde ele foi arranjar, mas no entanto prestem atenção. Eu apenas vou relatar o diálogo, sem comentar pois só ouvindo mesmo contar é que tem graça. Então contada pelo Anastácio…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barbeiro: - Então compadre Anastácio, já foi de férias?&lt;br /&gt;Anastácio: - Já fui e já voltei.&lt;br /&gt;Barbeiro: - E foi para fora?&lt;br /&gt;Anastácio: - Fui sim senhor, Então na haveria de ir?&lt;br /&gt;Barbeiro: - Pois eu acho que com as coisas lindas que a gente tem aqui no Alentejo, é muita estupidez ir para fora.&lt;br /&gt;Anastácio: - E este ano, fui ao estrangeiro.&lt;br /&gt;Barbeiro: - Pior ainda. Com um Portugal tão lindo é muito estúpido um homem ir de férias para o estrangeiro.&lt;br /&gt;Anastácio: - Visitar uns familiares em Itália.&lt;br /&gt;Barbeiro: - Logo Itália. Oh compadre Anastácio, então aqui com o estrangeiro a dois passos não poderia ter ido a Badajoz ou, vá lá, a Sevilha. Não acha uma estupidez gastar tanto dinheiro assim e ir para tão longe?&lt;br /&gt;Anastácio: - Mas este ano, meteu-se-me na cabeça que tinha de ir ver o Papa.&lt;br /&gt;Barbeiro: - Oh compadre, vossemecê, saiu-me cá uma peça. Então o compadre não acha que é uma estupidez, ficar ali, no meio daquela praça, à torreira do Sol, só para ver o homem lá ao longe na janela?&lt;br /&gt;Anastácio: - Vossemecê não está entendendo nada. Eu fui falar com o Papa.&lt;br /&gt;Barbeiro: - Hummmm… e falou?&lt;br /&gt;Anastácio: - Ora essa, homem. Então eu, ía lá, tão longe e não falava com o homem?&lt;br /&gt;Barbeiro: - Oh compadre Anastácio, agora sou eu que estou curioso. E que foi que o homem lhe disse?&lt;br /&gt;Anastácio: - Nada de especial. Só me perguntou quem é o estúpido que me corta o cabelo, assim, desta maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-107891382870474069?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107891382870474069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107891382870474069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107891382870474069' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-107879707162167329</id><published>2004-03-09T01:47:00.000Z</published><updated>2004-03-09T01:54:18.233Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ganchos multi-funções&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Serafim estava a colocar os armadores de rede para podermos experimentar a rede cearense que a Luciana nos ofereceu quando, no ano passado, cá veio de férias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Anastácio tinha aparecido ao meio da operação e por isso não estava entendendo muito bem por que raio esta gente estava espetando aqueles ganchos nos barrotes do alpendre. Mas o Anastácio tem uma característica muito peculiar. Só pergunta quando, de todo em todo, não consegue ser ele a descortinar as situações. E é de uma perspicácia que por vezes pensamos que é ele é bruxo ou coisa que o valha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia estava chuvoso e meio frio, não seria provável que fossemos estender a rede. No entanto como os parafusos eram fundos e grossos, como convém para um suporte daquele tipo, tinham dado alguma água pela barba ao Serafim o que, aliás, era bem visível pelo suor que lhe lubrificava a testa. Achei, por isso, que estava na hora de tomarmos uma cervejinha. Fui, eu próprio, buscar 3 latinhas ao frigorífico. Trouxe também três copos, pois habitualmente nenhum de nós costuma beber a cerveja directa da lata. Brindámos como costumamos fazer, mas o Anastácio apenas levou o copo à boca para molhar os lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o Serafim tinha virado praticamente todo conteúdo da latinha e eu seguindo-lhe os passos quando reparamos que o Anastácio, ainda não tinha bebido nada da dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh Anastácio, podia ter dito que não gostava dessa marca que eu traria outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh compadre. Não é nada disso, homem. È que o seu cunhado esteve ali espetando os ganchos no barrote e eu estava aqui esperando que vossemecê fosse lá dentro buscar o presunto.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-107879707162167329?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107879707162167329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107879707162167329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107879707162167329' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-107875018933383199</id><published>2004-03-08T12:49:00.000Z</published><updated>2004-03-10T23:14:50.483Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;De novo à volta do forno&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Joca não apareceu nesse fim-de-semana. Em seu lugar tivemos a companhia do Senhor inspector e da mulher. Gente dada à gastronomia, passamos quase tanto tempo à mesa como no quintal. O Ti Manel apareceu umas três vezes durante o fim-de-semana. Gosta de companhia e estranha quando vê, semanas a fio, a casa vazia. Estranha também quando o Joca não aparece. Parece que faz questão em o contrariar. O seu prolongado “não” é mais comum, quando é para rebater as afirmações do Joca. Não admira que a primeira pessoa por quem tenha perguntado tenha sido por ele. Mas gostou de conhecer o senhor inspector. Conversaram sobre o poder calorífico dos xerogases, e também dos ramos de oliveira acabados de cortar. Isto porque de novo a nossa conversa se centrou à volta do forno. Nos fins-de-semana, ou vamos preparados, ou temos pouca sorte. A mulher do senhor Inspector adora fazer pão.  Só que nem farinha, nem fermento. E o comércio local fechado. Mesmo assim não desistimos da ideia e demos a volta aos montes. Moreanes, Corvos, Corte de Sines. Ninguém tinha farinha, ninguém tinha fermento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, que eu saiba, por estes lados, talvez só encontre na Hortense. Pergunte nos Corvos que toda a gente a conhece – respondeu-nos uma senhora na casa dos seus setentas anos, vestida de preto, lenço na cabeça, pernas arqueadas, o corpo ligeiramente inclinado para a frente, que os anos de ceifa ninguém lhos tira de cima. – Ela costuma moer trigo para dar aos porcos. Mas olhe que essa é que é a farinha verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhamos uns para os outros. Então iríamos fazer pão com a farinha de dar aos porcos? Mas aquela da farinha verdadeira, descansou-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos atrás. Jogava-se chinquilho à porta da Hortense. Compramos a farinha, mas ainda nos faltava o fermento. E por detrás da lástima, a Hortense acaba por nos informar que um dos jogadores da malha era o marido da padeira. Agora tudo se compunha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já regressamos de noite. O pão teria de ficar para a manhã de Domingo. Enquanto se preparavam uns pezinhos de coentrada, onde a cozinha estava partilhada por dois cozinheiros exímios, a minha mulher e o senhor inspector.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh gente boa, pode-se entrar? – Já cá faltava este. O nosso amigo Anastácio não tinha dado cor dele todo o dia. Afinal não era muito de admirar, pertencia à organização do Festival e tinha estado todo dia de “serviço”. Mas a idade não perdoa e agora a noite seria para os mais moços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só nunca percebemos é como é que o Anastácio anda sempre tão bem informado. Nem precisamos de lhe contar a história da nossa procura desenfreada de farinha, naquela, antes, chamada terra do pão. Ele encarregou-se de nos lembrar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se há-de ser para os porcos…&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-107875018933383199?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107875018933383199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107875018933383199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107875018933383199' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-107853222795745626</id><published>2004-03-06T00:15:00.000Z</published><updated>2004-03-06T00:20:10.043Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;À volta do forno&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ti Manel ía começar a abanar a cabeça. Mas homem de Deus, você tem sempre de estar contra? Ninguém disse nada ainda. Olhava, com o queixo sobre as mãos cruzadas na curva do cajado, a operação que se desenrolava no forno do quintal. Eu, para arranjar espaço suficiente, tinha aproveitado o próprio forno para armazenar a lenha, que o iria aquecer. Mas acender fornos de lenha não é coisa que os homens da cidade sejam especialistas. E o que fez o Serafim? Botou-lhe fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nãoooo. Assim não vão lá – não se conteve o Ti Manel. Depois explicou-nos que toda aquela lenha teria de sair do forno primeiro e atear aos poucos, até que se conseguisse acender de vez. Depois sim, seria de jogar mais lenha até o forno “ficar capaz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o pão, lá ía “alvedando”. Estava quase na hora de tender e o forno não dava mostras de se querer preparar a tempo e horas. Aos poucos seguindo as instruções do ti Manel, o Serafim atingia os objectivos a que se propôs. E quando a abóbada ficou branquinha e o chão pronto a varrer, chegam as mulheres com o tabuleiro de lindos pães alentejanos tendidos pela mão habilidosa da Maria, prontinhos para ir ao forno. Os xerogases que o Serafim, o Joca, o João e eu tínhamos ido colher na primavera passada quase até ao Pomarão, os ramos das oliveiras guardados desde as últimas limpezas, tinham cumprido a preceito a missão que lhes foi confiada. Era lindo aquele forno, seria maravilhoso aquele pão. E ao contrário do que é costume naquelas bandas, o pão não seria para guardar para a semana inteira. Cá fora os pacotes de manteiga e as facas estavam prontos para atacar o pão quentinho acabado de sair do forno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh gente boa, pode-se entrar. – Chegava finalmente o Anastácio, de certeza com alguma história engraçada para contar. E apostamos todos que ele iria gozar connosco, sobre a forma tosca como o forno tinha sido acendido. O homem parecia ter um dedinho adivinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desta vez enganamo-nos. Vinha muito lastimoso. Pôs-se a carpir mágoas sobre os cachorros que tinham desaparecido na aldeia. Fazia 3 dias que ninguém sabia do “Baldroega” o canito da Ti Maria Amélia. “E dizem que este já é o terceiro que desaparece esta semana”. Todos sabemos que era mentira. A única verdade, verdadinha é que a Isilda nem tocou no cabrito. Só comeu pão com manteiga.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-107853222795745626?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107853222795745626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107853222795745626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107853222795745626' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-107844958805357184</id><published>2004-03-05T01:18:00.000Z</published><updated>2004-03-05T01:22:48.780Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Bala&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da nossa vida, dependendo das circunstâncias e de alguma conjugação de interesses vamos fazendo amizades e criando grupos de amigos que depois, também por força de novas circunstâncias se vão desfazendo, embora as amizades se mantenham normalmente intactas. Eu não sou excepção a esta regra, ou melhor chamemos-lhe lei da vida, e ultimamente o grupo de reunião mais assídua a que pertenço é o que é constituído pelo meu cunhado Serafim, pelo Joca e por mim próprio e obviamente pelas nossas caras-metades e respectivos rebentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Serafim, o Joca e eu somos como três mosqueteiros, ajudamo-nos mutuamente e temos entre nós também aquele espírito folião que caracterizava o referido trio. No entanto como não somos unos e indivisíveis, cada um de nós tem o seu próprio feitio e o seu jeito próprio de encarar o humor. O Joca, diga-se de passagem, é brincalhão quanto baste, mas afina um bocado quando acha que a brincadeira de algum jeito fere o seu orgulho pessoal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem esta referência a propósito do dia em que tivemos de mandar limpar as fossas, pois já necessitavam de um esvaziamento que os tanques não são de capacidade ilimitada. O pior foi para tirar as tampas. A calcinação a que, ao longo de vários anos, foram estando sujeitas aliadas à ferrugem que se acumulou nos bordos das tampas e os “soldou” aos encaixes e batentes, deram água pela barba ao Joca para as tirar. Sim porque o Joca neste tipo de trabalhos gosta de tomar a iniciativa, por ser bastante habilidoso e quiçá o mais persistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o olhar, tão atento quanto jocoso, do Serafim e de mim próprio, ele soldou espias, ele colocou alavancas, ele tentou tudo quanto lhe era imaginativamente possível engendrar para fazer deslocar as malfadadas tampas das caixas de visita. Eu e o Serafim limitavamo-nos a passarmos por ele e dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	O pá, mete “Bala” nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bala” é uma marca comercial de um &lt;em&gt;spray&lt;/em&gt; anti ferrugem que serve para amolecer os locais ferrosos onde é colocado. Mas serve essencialmente para pequenas superfícies e não para a dimensão que ali se apresentava. Alem disso a calcinação não era substancialmente provocada pela ferrugem pelo que, colocar “Bala” ou não, não serviria de nada. Nós sabíamos, e o Joca sabia-lo melhor de que nós. Parecia estar ele já a um passo de levantar as tampas mas as teimosas não cediam. Só haveria um meio de as fazer sair, já que os desbastes necessários já tinham sido feitos pelo Joca, mas não pensávamos nós que ali na província não seria possível encontrar. Um cadernal daqueles de levantar postes de electricidade ou de esticar as espias é que seria bom ter por perto. Mas nós, passagem sim passagem não, pelo Joca, lá referíamos que ele o que precisava era de pôr Bala naquilo. Claro está que o Joca  ía aos arames, mas nem por isso deixava de rir baixinho, aquele riso amarelo de como quem diz “Gozem, gozem que daqui a pouco quem vem aqui tirar as tampas são vocês”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impávido e sereno quem assistia quer aos esforços do Joca, quer às nossas brincadeiras sobre o Bala, era o Anastácio. De permeio terá contado uma ou duas das suas histórias, sempre a propósito do tema, como por exemplo daquela vez em que na casa dos Louros se viram tão aflitos, tão aflitos para abrir uma porta, convencidos que, dentro do minúscula arrecadação que não era aberta havia dezenas de anos, iriam encontrar algum tesouro medieval, de tal modo que tiveram que recorrer a uma pequena carga de dinamite para a abrir e, no final, só encontraram algumas alfaias antigas, caídas completamente em desuso, mas que mais tarde haveriam ainda de servir para decorar rusticamente a sala de estar dos Louros, e o Joca a murmurar baixinho, bem entre dentes, “dinamita, dinamita que vais ver o banho o banho de trampa que daqui vais levar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Anastácio conhecia bem a aldeia, saiu de mansinho e facilmente descobriu quem tivesse um cadernal. Não sabemos qual a razão, mas não foi ele quem o trouxe. Incumbiu da tarefa o Chico que apareceu lá com a geringonça, os olhos do Joca ganharam novo brilho e, daí à montagem do sistema que permitisse levantar as tampas, foi um instantinho. Mas não tão curto que não tivesse permitido ao Serafim ir buscar a latinha do “Bala”, esguichasse uma pequena quantidade à volta dos encaixes e dissesse em voz alta para toda gente ouvir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Vamos lá ver se agora sai, ou não sai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro está que, o cadernal levantou a tampa. Foi um sucesso apesar do cheiro que advinha dos buracos. Missão cumprida, o Joca foi lá dentro, trouxe uma cervejinha do frigorífico, sentou-se num banco a olhar para tudo aquilo com o ar de vitória, quando se ouve uma voz à entrada do portão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Hei, gente boa, pode-se entrar? Era o Anastácio. Então Joca, ouvi dizer que o “Bala” sempre deu resultado, homem!&lt;br /&gt;-	&lt;br /&gt;O Joca, nem os olhos levantou. Saltou do banco deu meia volta e gritou já de costas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Eu, é que devia de vos correr todos à bala cambada de gozões.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-107844958805357184?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107844958805357184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107844958805357184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107844958805357184' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-107835924513314842</id><published>2004-03-04T00:13:00.000Z</published><updated>2004-03-04T00:17:04.500Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-107835924513314842?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107835924513314842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107835924513314842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107835924513314842' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-107835894071211167</id><published>2004-03-04T00:08:00.000Z</published><updated>2004-03-04T00:12:00.153Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Achigãs&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Serafim estava a grelhar as entremeadas e as salsichas frescas. O Joca, o Serafim e eu tínhamos vindo da pesca ao achigã, de mãos vazias que é como quem diz sem um único exemplar de amostra. Era o último dia em que o poderíamos fazer visto estarmos à beira do defeso. A nossa pesca ao achigã tinha-se iniciado há muito pouco tempo, não conhecemos ainda a arte de os ludibriar, apesar de aparentemente ser muito fácil. As revistas da especialidade explicam tudo direitinho, o tipo de iscas, o tipo de anzóis, o tipo de canas, carretos, os habitats, as temperaturas das águas e o mais que se pode imaginar. Mas nós se quisermos comer algo bem grelhado, só se comprarmos na praça ou no talho. E claro ter o Serafim a dar uma mãozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já à mesa, enquanto ouvíamos as mulheres escarnecer que se elas estivessem à espera da nossa pescaria para comermos, bem poderíamos morrer de fome, e nós a tentarmos nos desculpar com toda a nossa imaginação, já fomos tarde, as águas andam frias demais, o Serafim passou o tempo a falar em voz alta e os peixes não se aproximavam e outras desculpas esfarrapadas entre as quais as mais célebres entre os pescadores, esta foi do Joca, vejam lá deixou fugir dois enormes (fogem sempre os grandes), escutamos a inconfundível saudação do Anastácio “Oi, gente boa, pode-se entrar?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Vai um copito Anastácio? Olhe que este é do bom, é da Branca, disse o Joca, que tinha levado um garrafão para o fim-de-semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Água-pé - ripostou o Serafim. Não beba não Anastácio, faltou-lhe frio este ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Joca diz que não mas vai aos arames com estas brincadeiras do Serafim. O vinho da Branca é abertozinho mas é muito agradável. E o Serafim gosta, mas para se meter com o Joca está sempre pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Deixa cá então provar essa aguapé, levando o copo à boca e soltando um ah quando sentiu o fundo ao copo. Ouvi dizer que hoje foram aos achigãs, começou ele. E que tal de pescaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Nada, disse eu. Aqui o Joca é que deixou fugir dois grandes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Acredito sim. Ali no Malpique, já vi eu com estes que a terra há-de comer, apontando para os olhos, um homem que veio lá de Cuba, pescar um achigã com uns 10 Kgs de peso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Eh Anastácio, deixe-se de histórias. Onde é que você já viu um achigã com 10 kgs? Perguntou o Serafim. Parece que a água-pé, ou lá o que é isto, que o Joca lhe deu a beber, já começa a fazer efeito, dando um sorriso e olhando de soslaio para o Joca, como que esperando a reacção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Pode ser sim, assentei eu que adoro as histórias do Anastácio. Vocês podem não acreditar mas eu e o Joca vimos lá esse tipo à pesca um dia destes. Homem de sorte sabedoria aquele. Pescou mais de duas dúzias de achigãs todos grandinhos. E quando estávamos para vir embora, era já lusco-fusco, quase não se via o caminho para o regresso, vejam lá a sorte dele, não é que o gajo pescou um candeeiro aceso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Bom, vamos lá por partes - interveio de novo o Anastácio. Tu apagas a luz ao candeeiro do homem e eu retiro aí uns oito quilitos ao peixe. Concordas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gargalhada geral. O Ti Manel que, como de costume, estava encostado ao cajado e ao poço e não é homem de achar muita piada a anedotas, abanou a cabeça disse ao seu jeito, voltando as costas e dirigindo-se para o portão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 	Nãoooo - naquele não prolongado como só ele costuma usar - Vou-me para minha sesta que aqui na se aprende nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-107835894071211167?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107835894071211167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107835894071211167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107835894071211167' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6564355.post-107827216395298447</id><published>2004-03-03T00:01:00.000Z</published><updated>2004-03-03T00:05:42.093Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Pizzas Familiares&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos como é costume reunidos à mesa depois de um jantar de grelhados. O meu cunhado Serafim diz que ir para o Alentejo faz bem ao colesterol. È só grelhados diz ele. E tem razão. Comida de tacho é rara e só quando a Isilda lhe dá a nostalgia. O pior é que os grelhados são sempre muito bem regados e a tal dieta fica a meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Lembras-te quando foste aos Corvos comer pizza? Então é só grelhados? - Atirei eu.&lt;br /&gt;-	É pá nem me fales nisso. Ía morrendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Serafim tem destas coisas. De vez em quando algo lhe cai mal no estômago e ele fica muito abatido. Depois é radical. Desiste dos pimentos, desiste das pizzas, desiste disto e daquilo. Os pimentos demoraram mais a ser postos de lado. Sempre serviam para desculpa de um copinho a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Cá para mim a pizza tinha pimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Se calhar foi isso. Mas, desde essa vez, não voltei lá às pizzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ti Manel escutava a conversa silencioso. Ajeitou o boné encostou o queixo ao cajado e murmurou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre o fazia, o Ti Manel começou a frase por não. Está-lhe na massa do sangue, ser desmancha-prazeres. Começa por negar e acaba por concordar. Quando não lhe agrada ou acha que não vai concordar dá meia volta sai sorrateiro e, quando damos por isso, já cá não está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Não. Dizem que lá se come muito bem. Eu nunca lá fui. Mas toda a aldeia fala que no Zé se come muito bem. E a mulher dele tem muito jeito para a cozinha. Isso foi porque vossemecê já andava mal da barriga e agora culpa as pizas ou lá como se diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos no Alentejo e estamos a falar de pizzas. Onde é que já se viu? No Alentejo a gente aproveita para comer as coisas do Alentejo. Ou à moda do Alentejo. E neste Alentejo profundo há um restaurante que além da comida típica regional (tenho até fotografias das travessas repletas de bem servir), escutem bem, serve pizzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois a nossa conversa sobre as pizzas e as negações do Ti Manel ainda estava no início e já o Anastácio gritava à entrada do quintal. “Oi gente boa, pode-se entrar?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha escutado a última frase do Ti Manel , ouviu a palavra piza e não resistiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Vossemecês desculpem, disse o Anastácio, eu estar a meter-me na conversa, mas as pizzas do Zé são famosas até na Vila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali nunca vem conversa séria mas o Anastácio é o melhor contador de histórias que eu conheço. Quando ele começa o silêncio é geral. Quando ele acaba tem gargalhada pela certa. Pela certa não. O Anastácio, às vezes, também lhe dá para o sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Ainda hoje lá apareceu o Quim Afonso, com duas moças, bem jeitosas, por sinal.&lt;br /&gt;-	Quem o pai ou o filho? Perguntou o Ti Manel.&lt;br /&gt;-	O filho, claro. Tem lá o pai idade para se fazer acompanhar por duas moçoilas assim.&lt;br /&gt;-	Nãooo, ripostou o Ti Manel. O filho não há quem o veja. Dizem que vive lá para Lisboa e que não tem uma profissão de jeito. Que anda só metido com mulheres. Há mais de dez anos que ninguém o vê por aqui.&lt;br /&gt;-	Pois era ele mesmo. Sentou-se, pegou na lista e quando o moço foi para assentar o pedido ele disparou: Duas pizzas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo eles três e tendo o Quim Afonso pedido duas pizzas, o moço muito naturalmente perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Familiares?&lt;br /&gt;-	Não, elas são só amigas, mas estamos todos cheios de fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gargalhada geral e o Anastácio repetia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Amigas, mas estão todas com fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois lá ficamos debatendo se era mais uma história do Anastácio, ou se era verdade que o Quim Afonso tinha vindo à aldeia, copo para aqui, conversa para acolá, o Anastácio ainda contou mais uma meia dúzia de histórias e o Serafim já com um grãozinho na asa, levantou-se, dirigiu-se para dentro de casa enquanto falava sozinho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	- Se calhar foi dos pimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6564355-107827216395298447?l=mesaequintal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107827216395298447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6564355/posts/default/107827216395298447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mesaequintal.blogspot.com/2004_03_01_archive.html#107827216395298447' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09211912240672182604</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
